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Sertanejo e política? Lives de Gusttavo Lima e Henrique & Juliano aquecem debate sobre 'cancelamento' e divide web

Depois de comentários de apoio dos cantores sertanejos ao Bolsonaro, mistura de entretenimento com política gerou debate nas redes sociais

Clara Guimarães Publicado em 21/04/2020, às 14h00

Henrique & Juliano encerrou live com lema de Bolsonaro
Henrique & Juliano encerrou live com lema de Bolsonaro - Reprodução/Instagram/Face

Recentemente, com as lives sertanejas ganhando repercussão nas redes sociais por causa da diversão e dos memes, um aspecto diferente das transmissões ganhou protagonismo na internet depois do show de Henrique & Juliano

A dupla, que realizou transmissão neste domingo, 19, encerrou a live com o lema do presidente Jair Bolsonaro. "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", disse Henrique & Juliano. A declaração gerou debate nas redes sociais sobre a divisão entre entretenimento e política. 

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"Sério que eles encerraram com uma frase do Bolsonaro? Mais uma dupla cancelada", disse um usuário. Enquanto a política do cancelamento foi a escolha imediata por alguns, outros enxergam uma separação estilo Igreja e Estado entre política e entretenimento.

"Eu sou fã do trabalho, das músicas e deles como artista, não da opinião política. Vocês são tão mimizentos que não sabem nem separar uma coisa da outra", comentou outro.

Embora esse momento de Henrique & Juliano tenha sido o mais recente, essa não foi a única vez em que o debate surgiu na internet. Ele já apareceu algumas semanas atrás, na segunda live de Gusttavo Lima, quando o Embaixador agradeceu elogios de Bolsonaro. "Obrigada, Presidente. Deus te abençoe", escreveu o cantor.

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O presidente e os filhos Eduardo e Carlos também defenderam Gusttavo das acusações do CONAR sobre a ingestão de bebidas alcoólicas nas lives. "Não seja influenciado pela opinião de quem só quer te destruir", disse Eduardo Bolsonaro, e foi retuitado pelo cantor. 

"Vocês não sabiam que os cantores sertanejos são todos amigos e/ou apoiadores do Bolsonaro?", perguntou um usuário. Bem antes da live, Gusttavo Lima já era próximo da família do presidente e nunca fez questão de esconder. 

O Embaixador chegou a compartilhar fotos na piscina da mansão em que mora com a família  acompanhado do filho do Bolsonaro, Jair Renan, do sogro e de amigos. Essa também não foi a primeira vez que Gusttavo e Bolsonaro Jr. posam juntos. Em 2019, o filho do presidente compartilhou nas redes sociais o primeiro encontro com o sertanejo.

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Em janeiro deste ano, Bolsonaro também recebeu os artistas Henrique & JulianoJads & Jadson e João Neto & Frederico e o pai de Felipe Araújo, João Reis, no Planalto.  Os sertanejos, além de outros produtores culturais, entregaram uma carta de apoio ao presidente, com cobranças a respeito da legislação que permite a meia-entrada para estudantes, pessoas com deficiência e jovens de baixa renda.

Esse encontro também voltou a ser assunto depois da live de Henrique & Juliano. "Eu juro que não entendo a surpresa da galera com esses sertanejos que apoiam abertamente o presidente. Vocês estavam onde em 2018? Porque Gustavo Lima sempre apoiou, Henrique & Juliano um dia desses se reuniu com o presidente pra acabar com meia entrada em shows", disse um.

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"Eu sigo boicotando sertanejo desde que fizeram reunião com o Bolsonaro pedindo o fim da meia entrada. Bando de elitista", publicou outro. Porém, novamente, ainda existem dúvidas sobre até que ponto a política e o entretenimento devem se misturar.

"Chacota vocês acharem que as pessoas são obrigadas a ter uma opinião política igual a sua para curtir o trabalho dos caras. É tudo entretenimento", disse um. "Acho super errado desmerecer o trabalho da pessoa só por ela no particular não ter um pingo de noção", comentou outro.

"Se você apoia um indivíduo que tem poder, que vê na ditadura militar uma solução, que apoia tortura, que é tanto machista, como lgbtfóbico e racista, não brigar é apoiar, é ser conivente", discordou um usuário nos comentários. 

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O assunto é ainda mais antigo que as lives. Na época de corrida presidencial em 2018, um vídeo de Zé Neto & Cristiano dedicando prêmio ao Bolsonaro viralizou e gerou o mesmo debate. 

"A gente recebeu muita ameaça, ameaça de morte. Eu cantei algumas vezes com medo depois do acontecido. Eu acho que, do mesmo jeito que as pessoas do outro lado têm o direito de votar, eu também tenho o direito de votar em quem eu quero", revelou Cristiano.

Na época, muitos usuários das redes sociais também optaram por deixar de seguir e escutar a dupla. "Muito triste ter que abandonar Zé Neto & Cristiano, mas prometi não apoiar eleitor do Bolsonaro", comentou. "Ah, continuo assistindo pela musica e porque os cara são gente boa", rebateu outro. 

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