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O que os recordes de Marília Mendonça dizem sobre a representatividade feminina no streaming [ANÁLISE]

O feminejo no streaming e a representatividade das mulheres nas plataformas digitais

Seham Furlan Publicado em 11/04/2020, às 10h00

Cantora Marília Mendonça
Cantora Marília Mendonça - Reprodução/ Instagram

Marília Mendonça reuniu 3,5 milhões de visualizações simultâneas na live do YouTube realizada nesta quarta, 8. As lives são uma saída para o mundo do entretenimento manter-se ativo durante a pandemia, um setor fortemente atingido pela crise.

A indústria musical sertaneja entendeu a importância das lives bem equipadas e com grande demanda online. Ter, hoje, uma figura feminina alcançando milhões de pessoas é extremamente importante para a consolidação de mulheres na área.

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O sertanejo e o YouTube

A relação entre música sertaneja e a plataforma mostrou-se fundamental para a estabilidade do gênero no mercado musical. No artigo "O Sertão Universitário", parte do livro "Música e ciências sociais: para além do descompasso entre arte e ciência", o historiador Gustavo Afonso Ferreira aponta que a chegada da internet banda larga - e do YouTube - no Brasil, em 2005, transformou o fazer e ouvir musical do país. Nesta época, não à toa, as produções sertanejas aumentaram, assim como o público.

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Entretanto, a desigualdade de gênero, refletida na falta de representatividade feminina no sertanejo, manteve-se mesmo com um princípio de democratização do acesso à informação. Isso não indicava, porém, que as mulheres estavam fora do ambiente sertanejo: simplesmente, elas não eram reconhecidas pelo trabalho desempenhado na área. Poucas foram as mulheres que ultrapassaram a barreira da desigualdade, como Inezita Barroso, que não só foi pioneira na área, como comandou um importante programa na mídia, o "Viola, Minha Viola".

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Compositoras no streaming

Em 2019, de acordo com uma apuração realizada pelo Nexo, "Todo Mundo Vai Sofrer", da cantora Marília Mendonça, passou três meses como a música mais ouvida do Spotify no Brasil. Tal cenário parecia inimaginável no início dos anos 2000, quando o sertanejo universitário estava engatinhando e as duplas, majoritariamente masculinas, despontavam como favoritas entre os jovens. 

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Outras mulheres consolidam-se na área, agora reconhecidas no espaço da composição, como Yasmin Santos e Lauana Prado, cantando sobre questões antes não verbalizadas por mulheres, como canta Lauana em "Tem Que Respeitar".

Assim, outras mulheres percebem que aquele lugar de compositora existe, que pode ser ocupado e sonhado. O ambiente sertanejo ainda pode ser mais diverso, fazendo dos recordes, como os de Marília, eventos importantes a serem repetidos.

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