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O que é bachata, o ritmo latino que conquistou os cantores sertanejos?

Gusttavo Lima, Marília Mendonça e Zé Neto & Cristiano já incorporaram o ritmo ao repertório

Clara Guimarães Publicado em 19/01/2020, às 06h00

Gusttavo Lima, Marília Mendonça e Zé Neto & Cristiano pegaram a guitarra elétrica e a percussão marcada da bachata
Gusttavo Lima, Marília Mendonça e Zé Neto & Cristiano pegaram a guitarra elétrica e a percussão marcada da bachata - Foto: Divulgação

A bachata surgiu por volta da década de 1960 na República Dominicana. O termo também era utilizado na época para se referir às próprias festa populares, que aconteciam em cabarés e regiões não nobres, visto que o próprio ritmo é de origem popular.

Mas foi apenas em 2019 que a bachata marcou o cenário musical no Brasil. O ritmo conquistou cantores como Gusttavo Lima, Marília Mendonça, Zé Neto & Cristiano e Luan Santana.

O sucesso foi tanto que diversas músicas com influências do rimo latino chegaram ao topo das paradas. "Quando a Bad Bater", de Luan e "Cem Mil", de Gusttavo, são apenas dois de muitos exemplos de hits com bachata.

Mas o que é exatamente a bachata e como ela chegou ao topo das paradas musicais? A Rolling Stone Country Brasil explica como o ritmo caribenho chegou ao Brasil. 

História da bachata

O som que mistura o bongô e o tilintar metálico com a sensualidade característica de estilos de música latinos, como o reggaeton, nasceu às margens da sociedade. O ritmo lento, mas marcado pela percussão, leva temas de amor, bebida e sofrência para o público com linguagem simples.

Se todas essas características lembraram o sertanejo, é porque o estilo realmente é similar ao do ritmo brasileiro. Talvez essa seja até a razão principal pela qual os cantores sertanejos apaixonaram-se tanto pela bachata.

Luis Segura e Mélida Rodrigues foram alguns dos nomes que consolidaram o ritmo no exterior com instrumentos eletrônicos nos anos 1970 e 1980. Em um segundo momento, surge Romeo Santos, com bachatas que apelam para o sentimento do público em discursos de amor e saudade.

Mas, como saber no Brasil, então, quais músicas e cantores sertanejos usaram a bachata? Para reconhecer a influência basta prestar atenção à percussão, procure por um bongô e pelo ritmo constante e marcado. Na maioria dos casos, o violão também lembrará muito uma guitarra elétrica. 

E, se ainda sobrar alguma dúvida, pode ser que o próprio cantor entregue a influência: “What a bachata feeling”, diz Gusttavo Lima frequentemente em seus shows. 

A bachata no Brasil

No Brasil, Raimundo Fagner foi um dos precursores do ritmo. Com a canção "Borbulhas de Amor" o cantor garantiu sucesso nacional, vendendo mais de 750 mil cópias. Esses eram os primeiros indícios da aceitação do público brasileiro ao gênero derivado do bolero. 

Embora os cantores sertanejos gostassem da bachata, as gravadoras e as rádios daquela época não a aceitavam muito bem. Zezé Di Camargo & Lucianoaté colocou um 'pezinho' na República Dominicana com "Eres Todos Los Extremos", mas logo voltaram ao sertanejo raiz.

Atualmente, é impossível não relacionar a bachata a Gusttavo Lima. O cantor incorporou o ritmo latino pela primeira vez na música “Jejum de Amor”, sucesso de 2014. Depois de passar muito tempo com o tradicional sertanejo universitário, oEmbaixadordecidiu assumir de vez o lado latino, lançando “Cem Mil” e “Milu”. 

"A gente já vinha desse sertanejo universitário há praticamente 12 ou 13 anos. E tudo que eu escutava parecia a mesma coisa. Sempre era vanera ou pop. E eu falei: 'Acho que tenho que mudar, sair na contramão do que todo mundo estava fazendo'. A bachata foi a bola da vez", contou Gusttavo Lima à Rolling Stone Country Brasil. 

O cantor não foi o único que se encantou com a bachata. Barretto, da dupla com Bruno, também disse à RS Country BR que o novo álbum foi muito influenciado pelo ritmo dominicano, mas revelou que o medo da rejeição ainda existe.

“A gente tem um pouco de receio do público brasileiro não consumir a bachata como acontece nos outros países. Então, a gente dá uma mesclada. É bachata com o violão, mas a bateria é um pouco mais ‘sertanejada’”.

O que ninguém pode negar é que Gusttavo Lima conseguiu atrair muito público com a bachata sertaneja. Com quase seis milhões de ouvintes mensais, 10,6 milhões de seguidores e mais de 642 bilhões de streamings, o Embaixador é o quarto artista mais tocado no Spotify Brasil e dominou o ano da Deezer. Isso tudo com músicas majoritariamente influenciadas pelo ritmo latino. 

Estratégia

O sucesso não veio sem uma estratégia. Gusttavo, além de gostar da bachata, também viu a oportunidade de atrair o público dos países vizinhos enquanto trazia a inovação no Brasil. “O segundo país que mais ouve Gusttavo Lima é o Chile, com 8, 10 milhões de ouvintes mensais. Então, depois que a gente colocou a bachata, incrementou o que eles adoram. A gente conseguiu atrair muitas pessoas que não estavam na indústria sertaneja para o mercado do Gusttavo", explicou o cantor.

Nessa onda, até Marília Mendonça se rendeu ao ritmo em 2018 com a música “Todo Mundo Vai Sofrer”. A faixa do DVD Todos Os Cantos Vol.2 já tem quase 300 milhões de visualizações no YouTube. Logo atrás estáZé Neto & Cristiano, que  viu “Largado às Traças” e "Notificação Preferida" tornaressem hits.

Talvez o último dos grandes nomes do sertanejo a decidir entrar para o clube da bachata foi Luan Santana, que gostou do resultado. “Quando a Bad Bater” do DVD Viva derrubou o recorde de 1998 do Legião Urbana de música mais tocada nas rádios em 24 horas. 


5 músicas sertanejas com influências da bachata:


"Largado às traças" - Zé Neto & Cristiano

 

"Cem Mil" - Gusttavo Lima

 

"Quando a Bad Bater" - Luan Santana

 

"Borbulhas de Amor" - Fagner

 

"Todo Mundo Vai Sofrer" - Marília Mendonça

 

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