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Lives sertanejas: artistas se adaptam às regras do YouTube, mas buscam alternativas pagas [ANÁLISE]

A RS Country conversou com um especialista no mercado digital para entender as mudanças nas transmissões ao vivo

Isabelle Colina Publicado em 11/05/2020, às 12h30

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Foto: Reprodução/Youtube

Em meio à pandemia do coronavírus, as lives se tornaram uma das principais forma de entretenimento para os fãs de música. E, neste quesito, os shows feitos pelos sertanejos estão quebrando recordes e causando na internet.

As apresentações estão sendo preparadas com cenários cenário, banda, equipamentos de filmagens, assim como nos grandes shows, porém, nelas os artistas mostram uma “versão pessoal”, entre conversas íntimas e brincadeiras. 

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Especialista no mercado digital há mais de 10 anos, João Mendes conversou com a Rolling Stone Country sobre algumas regras e normas que os artistas devem seguir ao se apresentarem nas plataformas digitais. 

“A internet vem com a quebra de paradigmas da grande produção. Tudo aquilo que for natural com muito bom senso, vai ser muito bem aceito. Só não poder ter o exagero, isso pegaria mal para qualquer pessoa. Seja o exagero de bebidas, brincadeiras, palavrões e outras atitudes.”. 

Quando as transmissões ao vivo do Youtube estavam ganhando força, alguns nomes da música sertaneja estavam se excedendo na bebida, como Bruno & Marrone, Zé Neto & Cristiano, Antony & Gabriel e outros. Porém, tudo mudou quando Gusttavo Lima foi notificado pela Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) que abriu uma representação ética contra as ações publicitárias realizadas nas lives do cantor.

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Segundo o Conar, as lives apresentam "repetida ingestão de cerveja, em potencial estímulo ao consumo irresponsável do produto" e não apresentavam restrição ao acesso para menores de 18 anos.

Desde então, os artistas têm brincado com a situação nas lives. Henrique & Juliano disse estar bebendo chá.Zé Neto & Cristiano também falou que tinha apenas água no copo durante a live. E Marília Mendonça não revelou o que era o líquido na caneca. "Tem chance de ser cerveja", dizia uma frase no objeto.

Segundo João, um dos principais motivos para que as transmissões sejam um sucesso é justamente a oportunidade de ver os artistas como pessoas “normais”, com erros e acertos. Porém, o excesso não agrada. 

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“Os artistas têm que entender que eles não estão entrando em um evento com uma determinada faixa etária e sim entrando na casa das pessoas. Não existe a cultura que um determinado artista o filho não pode assistir. As pessoas esperam que aquilo seja ser visto por todos. Atrás da visualização de um fã, existe uma criança, idosos.”, explica.

Uma forma que alguns artistas encontraram para “escapar” das regras do Youtube e proporcionar aos fãs uma nova experiência é a criação de aplicativos especializados na transmissão de lives, em especial para artistas sertanejos. 

Um exemplo é a plataforma Live Live Brasil, desenvolvida por Matheus Aleixo, dupla de Kauan. O aplicativo terá o formato de pay-per-view onde as pessoas comprarão um evento específico e poderá interagir com os artistas a todo o momento, enviando perguntas, montando o repertório e outras atividades. 

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João Mendes afirma que as plataformas pagas tem uma grande chance de atrair o público por trazer informações e espetáculos exclusivos. Entretanto, o Youtube continuará sendo a principal plataforma de conteúdos audiovisuais. 

“Não acredito no sucesso das plataformas exclusivas gratuitas pois, o YouTube tem uma variedade muito grande de conteúdos. As pessoas procuram não somente os conteúdos atuais, mas também aqueles que já estão disponíveis. É uma luta desleal. Para o alcance em massa, o Youtube sempre vai ganhar”.

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