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História do sertanejo: a trajetória percorrida até a consolidação de um dos maiores ritmos do Brasil

Mesmo sendo um dos maiores ritmos do Brasil, há muitas falhas na construção da história do sertanejo

Isabelle Colina Publicado em 05/07/2020, às 12h00

Cornélio Pires, Sérgio Reis e Gusttavo Lima
Cornélio Pires, Sérgio Reis e Gusttavo Lima - Foto: Divulgação

A música sertaneja é uma das mais queridas da população brasileira. Atualmente, o ritmo divide com o funk as primeiras posições nas paradas musicais das plataformas de streaming. No Spotify, por exemplo, a maior playlist é a Esquenta Sertanejo, que alcançou a marca de  2 bilhões de streams.

As músicas são conhecidas por retratar o cotidiano da sociedade, assim, ela retrata o avanço e desconstrução de paradigmas conhecidos. Com quase um século de existência, as narrativas se transformaram. A princípio, era relatado a vida bucólica do campo e hoje, as letras contam histórias de baladas, traições e amores. 

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Mesmo sendo um dos maiores ritmos do Brasil, há muitas falhas na construção da história do sertanejo. O blog Betway Insider preparou um documento que conta diversos pontos importantes sobre a trajetória percorrida pelo gênero até a dominação das paradas musicais. 

A história do sertanejo

Os primeiros relatos da música sertaneja surgiram em 1929 quando o pesquisador, compositor, escritor e humorista, Cornélio Pires, resolveu espalhar os costumes caipiras em forma de música e encenações teatrais para as outras regiões do Brasil. 

Na época, as letras retratavam a beleza bucólica e romântica da paisagem, o modo de vida do homem do interior e do homem da cidade. Por retratar o cotidiano da sociedade, podemos encontrar relatos históricos como nas crônicas cantadas “A revolução Getúlio Vargas”, e “A morte de João Pessoa”, gravadas em 1930 por Zico Dias & Ferrinho.

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No mesmo período, começaram a surgir os primeiros grandes nomes e clássicos da música sertaneja. Entre os artistas podemos citar Tonico & Tinoco e Luizinho & Limeria. Já entre as canções "Pinga Ni Mim" e "O Menino da Porteira". 

Com o passar dos anos, houve a implementação de outros instrumentos, como a harpa e o acordeão. A partir de 1945, aparecem os primeiros nomes femininos no sertanejo, entre eles: Cascatinha & Inhana e Irmãs Galvão. Contudo, é importante ressaltar que o número de mulheres que alcançaram o sucesso representa uma parcela muito pequena em comparação ao de artistas homens. 

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Entre as décadas de 60 e 70, ocorreu as primeiras incorporações de outros ritmos entre as melodias sertanejas e o ritmo foi "modernizado". A guitarra elétrica, violino e trompete, importantes elementos da tradição mexicana, foram algumas das inovações. Sérgio Reis e Milionário & José Rico são importantes nomes para esta transformação. 

Em 1980, ocorreu uma das mais importantes mudanças para que o sertanejo se tornasse a grande potência que é hoje. O ritmo começou a ser tocado nas rádios FMs, em programas de TV matutino, no horário nobre, e nas trilhas de novelas.

Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo, Zezé Di Camargo & Luciano e João Paulo & Daniel foram alguns dos artistas que surgiram neste período. As canções falavam principalmente sobre o amor, mas podemos encontrar pequenas nuances do ritmo de balada, arranjos instrumentais e até instrumentos de orquestra e a base de rock. 

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Com a evolução da sociedade e dos ritmos musicais, o sertanejo deixou de ter narrativas voltadas para as comunidades rurais e tornou-se mais urbano e eclético, porém, sem perder a característica de melodias simples e melancólicas.

A fase "Sertanejo Universitário" foi responsável pela propagação do ritmo nos grandes centros urbanos. O clima de baladas, "pegação" e o clima de "curtição" dominou as grandes festas. 

Assim, surgiram novas vertentes do gênero como o Pagonejo, Funknejo,  Popnejo, Eletronejo e outros. Felipe Araújo, Matheus & Kauan, Simone & Simaria, Gustavo Mioto e Naiara Azevedo são exemplos de artistas que investem na mistura de ritmos. 

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Atualmente, as letras de baladas perderam um pouco da força e as narrativas de sofrência, traições, amores dominam as paradas músicas. Marília Mendonça, Zé Neto & Cristiano, Henrique & Juliano e Maiara & Maraisa estão entre os principais artistas. 

Segundo os dados da Crowley,  empresa especializada em gravação e monitoração eletrônica de rádio, desde 2015, o sertanejo conquistou as 10 primeiras colocações entre as mais executadas. Entre as 50 músicas mais tocadas, 48 são sertanejas e 2 pertencem ao forrozeiro Wesley Safadão, que tem uma aproximação grande com o ritmo. 

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O sertanejo move grandes shows e alguns dos principais festivais do país como o Villa Mix e o Festeja. Seja com as narrativas da vida caipira ou da rotina urbana, as  duas realidades conseguiram mobilizar multidões de todas as classes por todo o Brasil.

 

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