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A música sertaneja se transformou no verdadeiro pop brasileiro? [ANÁLISE]

Depois do raiz e do romântico, o sertanejo universitário ganhou os topos das paradas no Brasil e está cada vez mais seguindo a receita da música pop

Mariana Calheiros Publicado em 26/04/2020, às 10h00

Zé Neto & Cristiano no DVD Por Mais Beijos Ao Vivo
Zé Neto & Cristiano no DVD Por Mais Beijos Ao Vivo - Reprodução/Youtube

O sertanejo surgiu na música brasileira em 1929 e, ao longo dos anos, criou subgêneros com diferentes artistas. O caipira raiz gerou ramificações e tornou o gênero musical mais amplo, tratando de outros temas além da vida rural e no campo. A partir dos anos 2000, o antigamente chamado “sertanejo universitário” trouxe um novo lado do gênero, com músicas sobre a vida de solteiro, ostentação e bebedeira.

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Esse “estilo” de sertanejo não foi uma mudança do gênero, mas sim outro subgênero criado após o caipira e o romântico. A sanfona e o ritmo continuam semelhantes, porém é possível perceber uma inovação no arranjo, com instrumentos diversificados e letras mais “chiclete”. O universitário atingiu com mais força o público das cidades, abrangeu mais idades e se tornou, em 2019, o gênero mais ouvido pelos brasileiros, ultrapassando o samba e o pagode.

Com isso, o sertanejo se transformou no pop brasileiro? O verdadeiro significado do termo “pop” vem do inglês, relacionado à popular. Se houvesse um conceito da música pop a definição abrangeria "canções de duração média-curta, escritas em um formato básico de verso-refrão, empregam refrões e batidas repetidas, ganchos e, muitas vezes, temas amorosos". Essa seria uma classificação possível para o próprio sertanejo universitário.

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A questão é que o sertanejo universitário entrou para os grandes holofotes da música brasileira e, principalmente, do mercado. O gênero virou um produto que cresceu no meio musical e dominou as paradas. Henrique & Juliano, por exemplo, entrou para os dez artistas com maior número de visualizações no Youtube, superando a banda americana Linkin Park.

Além dos hits, os shows e festivais se tornaram enormes produções com palcos gigantes, fogos de artifícios, dançarinos e muita tecnologia. Em 2018, o Villa Mix Festival Goiânia bateu o próprio recorde do Guinness com o maior palco do mundo. No Brasil, as apresentações dos artistas sertanejos se assemelham aos famosos shows de estrelas do pop em Las Vegas.

Palco do VillaMix Festival em 2018 teve 2.900,00 metros quadrados - Foto: Reprodução/VillaMix

 

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As grandes produções distanciaram o sertanejo universitário do tema "caipira da vida rural" e predominou a curtição e o amor. A verdadeira raiz não está nas letras das canções, mas é presente na origem dos artistas que, na maioria das vezes, são influenciados pelos clássicos do sertanejo e se encontram no "celeiro" do gênero, que ainda é Goiânia. 

O sertanejo universitário tem se aproximado cada vez mais da "receita" da música pop, considerada o gênero musical mais comercial da atualidade. O crescimento no mercado, com shows enormes e hits no topo das paradas nacionais (e internacionais), mostra a popularidade do gênero. Afinal, é possível dizer que o “sertanejo universitário é tech, sertanejo universitário é pop".

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