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“A maneira de cantar mudou completamente”, diz Barretto sobre a evolução da dupla com Bruno

Bruno & Barretto lança nesta sexta "Pai Nosso", o primeiro clipe do novo DVD

Clara Guimarães Publicado em 06/12/2019, às 16h00

Bruno & Barreto apresenta 13 faixas inéditas e quatro regravações no novo DVD Live In Curitiba
Bruno & Barreto apresenta 13 faixas inéditas e quatro regravações no novo DVD Live In Curitiba - Foto: Divulgação/Rafael Cruz

Bruno & Barretto lança nesta sexta, 6, a primeira faixa inédita do novo DVD gravado em Curitiba, “Pai Nosso”. Barretto disse que os fãs podem esperar músicas de sertanejo bruto, mas, avisou que nesse álbum a dupla brincou com diferentes estilos, como funk e country. Live in Curitiba tem um total de 13 faixas inéditas e quatro regravações.

Como de costume entre os cantores sertanejos, a dupla Bruno & Barreto vai lançar os clipes aos poucos, começando por "Pai Nosso" e depois, ainda em 2019, divulga "Bumbum Perigoso", parceria com o Dennis DJ. Todas músicas devem sair nos serviços de streaming de aúdio no começo do próximo ano.

O projeto marca a volta de Bruno & Barretto para farra, relembrando os tempos de “Farra, Pinga e Foguete”, quando a dupla ainda estava no começo da carreira. "Depois de cinco anos de estrada, eu, principalmente, aprendi muito, a maneira de cantar mudou completamente", disse Barretto.

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Barretto conversou com Rolling Stone Country Brasil para falar sobre o novo DVD, a parceria com Dennis, a experiência nos Estados Unidos e a polêmica no Programa da Fátima Bernardes, quando Barreto foi criticado por cantar a música e ninguém entender nada do que ele estava falando.

Leia os principais trechos da entrevista:

O que achou do resultado deste novo álbum e da música "Pai Nosso"?

Desde o começo da nossa carreira, acho que esse é o melhor álbum em relação ao repertório. A música "Pai Nosso" foi a que os fãs aprenderem a cantar mais rápido. Soltamos mais ou menos uns quatro ou cinco trechos [de outras músicas] e “Pai Nosso” estava no meio. Quando chegou o momento da gravação do DVD, nada das outras e, nela, a galera já cantou junto. Então foi algo que indicou para gente: vamos começar com ela, fazer dela a música de trabalho.

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A música também era a preferida de vocês?

Então, na verdade, eu acredito que, de repente, talvez não 100% a preferida.

E qual você diria que é?

Quando o repertório é bom, ás vezes você fica meio confuso. Gosto de praticamente todas, fica confuso ter uma preferida. E também por serem de estilos bem variados, tem bachata romântica, tem funk... Então é uma de cada perfil, o que é algo bom. Porque, se você tem preferência por uma, as outras de repente não são tão boas em primeiro lugar.

Tem influências de outros estilos musicais no álbum?

Sim, tem música que misturou guitarra, country rock com sertanejo, com a gaita sertaneja. Também tem o funk que a gente fez com o Dennis DJ, que não foi nem uma mistura, foi muito mais puxado pro funk, é praticamente funk mesmo.

Vocês são representantes do sertanejo bruto, por que você acha que as pessoas colocam Bruno & Barretto nessa categoria?  Quais características as músicas de vocês têm?

Eu acredito que pelo timbre de voz. Quando se fala de voz grave, que é o estilo de João Carreiro e Pardinho, que começou lá atrás com moda de viola, ficou classificado como algo bruto, algo da roça, algo do sertanejão mesmo, de mexer com roça, com animal e tal. Ele [o sertanejo bruto] veio forte, alguns anos atrás, antes de Bruno & Barretto, com João Carreiro e Capataz, Jads & Jadson. Então, começaram a assimilar isso. O artista que tem a voz grave é considerado sertanejo bruto, que agrada muito o pessoal que vai em festa de peão, que usa chapéu.

E vocês se encaixam nisso?

A gente se manteve bem no mercado pelo fato de não ser tão bruto, tão rústico, tipo: ‘Eu só gravo moda de viola, eu só gravo sertanejão e não quero nem saber’. Não, a gente fez isso, mas também fez misturas com eletrônico, como a música que o povo canta muito “Lá Se Foi o Boi Com a Corda” com participação de um DJ. A gente gravou agora também com o Dennis, com o funk e a gente se manteve no mercado dessa forma, inovando também.

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Acho que muita gente relaciona também o ‘sertanejo bruto’ com o tema que vocês colocam na sua música: farra, bebida, mulher...

Sim, exatamente, o sertanejão, a galera do chapéu, que gosta de Festa do Peão, é um pessoal chucrão, que curte beber bastante, farrear com a mulherada. Então, acho que se encaixa com a gente. Fazemos muita música assim, que é um dos nossos grandes fortes. O Bruno & Barreto também sempre tenta encaixar uma romântica, como “40 Graus de Amor”, que foi muito bem. O pessoal sempre canta, então eles também gostam de algo mais romântico de vez em quando.

Então, quando você fala sobre ‘falar de farra’ é só porque o público gosta ou vocês também se identificam?

Sim, nós gostamos. Eu e o Bruno somos casados, mas a gente sempre curtiu muito essa questão de Festa do Peão, de cavalgada, de dançar em cima das caminhonetes com a mulherada, farrear, beber e curtir, então a gente sempre gostou desse mundo. Apesar de hoje estar casado, sossegado, são coisas que a gente sempre gostou.

Como surgiu a parceria com o Dennis DJ?

O Bruno & Barretto durante esses cinco anos nunca foi muito de ‘participação’. Mas rolou alguma coisinha com pessoas que a gente criou um vínculo e teve alguma amizade e que quiseram nos ajudar. Foi o caso do Dennis também. Eu conheci ele e a gente teve uma relação bacana, sempre trocando ‘zap zap’, sempre tentando fazer algo juntos e aí ele se dispôs a ir gravar com a gente numa sexta-feira. Ele estava lá no Nordeste e pegou o vôo para ir lá [em Curitiba] gravar. Então foi uma parceria além da música, de amizade mesmo.

Tem algum motivo para “Farra, Pinga e Foguete” não ter sido regravada?

Porque foi a primeira música, uma mais antiga. Ela também já está registrada no nosso primeiro DVD. Por isso ela não faz parte.

Vocês dois são do Paraná, como foi gravar em Curitiba, perto de casa?

Curitiba durante esses quase cinco anos foi a cidade que a gente fez mais shows, né? E a gente tem um carinho imenso por lá, temos muitos fã-clubes. A galera sempre lota os shows do Bruno & Barretto. Então a gente decidiu gravar lá para ter essa energia, a gente sabia que gravando lá, o DVD ia ficar com uma energia incrível.

E ficou?

Sim, o DVD está com uma energia incrível, a galera cantando, curtindo, dançando, pulando. Todas as músicas tem uma vibe massa demais, para cima, não é aquele DVD da galera ficar ali parada, que o pessoal não sabe cantar a música, fica quieto e com a cabeça baixa.

Quando vocês foram fazer os shows no Estados Unidos na turnê antiga, sentiram essa energia também?

Sim, a gente sentiu muito. É bem bacana, porque na maioria dos shows, o público é de brasileiros que estão lá há muito tempo e sentem saudade do Brasil, então vêm com a energia muito boa. A gente faz um momento de “modão” nos nossos shows e eles cantaram muito, relembram do passado, do Brasil, do sertanejo. Até mesmo, vi gente chorar com saudade.

O momento modão são covers?

Exatamente, a gente faz o momento “boteco” nos nossos shows, que a gente canta cover de artistas clássicos. José Rico e Milionário, Zezé di Camargo & Luciano e vários outros.

Esses são os caras que influenciaram as músicas do Bruno & Barretto?

Sim, na verdade, não sei se musicalmente, porque é outra época, mas são artistas que a gente tem uma admiração imensa, no estilo, no jeito de conduzir a carreira, no jeito de ser, então a gente se espelha muito.

E nos Estados Unidos, a música country influenciou vocês também?

Sim. Gosto muito de música country. Teve algumas músicas com alguma batida, guitarra, misturando o country americano com sertanejo. Foi bem bacana, tem umas duas ou três músicas mais ou menos assim.

Vocês passaram por alguma situação engraçada lá nos Estados Unidos? Talvez pela diferença cultural ou de língua…

Ah sim, demais. Foram várias situações engraçadas lá, a gente não sabe falar inglês, então, por exemplo, só sabia pedir Coca e ovo, ‘eggs’ e ‘Coke’, né? E cerveja, que é ‘beer’, também. Mas é bem difícil essa questão da cultura. A gente sofreu um pouco, ainda mais na questão de comida, a gente gosta de um arrozinho, feijãozinho, e lá tem muito fast food, sempre parava para comer hot-dog.

Vocês pretendem voltar para lá algum dia?

Com certeza, gostei demais de onde a gente foi, no Texas. A primeira oportunidade que tiver a gente volta pro Estados Unidos e vamos curtir um pouco. Mas, quando estamos lá, dá muita saudade do Brasil, então não dá pra ficar muito tempo não.

Voltando um pouco ao passado, desde o “Farra, Pinga e Foguete” vocês sentiram alguma diferença no jeito de cantar?

Sim, demais, por exemplo aquele episódio que aconteceu na Fátima… eu nunca tive dupla, nem nada, aconteceu do dia para noite. Eu cantava na igreja com a minha mãe, mas nunca tive nada de experiência, nem de estrada, que é o que faz a gente aprender mais. Quando eu fiz um cover cantando no churrasco, o vídeo começou a repercutir na minha região até ter um interesse dos empresários. E a primeira música que lançamos foi “Farra, Pinga e Foguete”. Em sete meses de carreira nós gravamos um DVD para 20 mil pessoas em Londrina. Então, quando aconteceu aquele episódio na Fátima, a gente vinha de 30 shows por mês, voz cansada e eu praticamente não sabia cantar. Tudo isso colaborou para que acontecesse aquilo. Depois de cinco anos de estrada, eu, principalmente, aprendi muito, hoje não aconteceria muito mais isso, a maneira de cantar mudou completamente, a gente conseguiu provar para galera.

Você pode falar um pouco mais sobre o episódio da Fátima?

O episódio da Fátima também foi muito bom. Acredito que se não tivesse acontecido aquilo, “Farra, Pinga e Foguete” não chegaria aonde chegou. Porque muitas pessoas criticaram, foram nos nossos perfis para ver o que tinha acontecido e acabaram curtindo e gostando da música e nos acompanha até hoje. E acabou estourando a música.

De lá pra cá fizemos um trabalho bacana, de músicas boas e trabalhos bons gravados. Como eu falei, nós temos músicas durante esse ano que têm 80 milhões, 60 milhões. Acredito que a gente fez um trabalho bacana.


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