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"Nunca tiro meu sorriso do rosto": Jakson Follmann dá exemplo de superação no "Popstar"

O ex-goleiro é um dos sobreviventes da tragédia com o avião da Chapecoense

Isabelle Colina Publicado em 05/11/2019, às 11h48

Jakson está em segundo lugar no ranking do programa
Jakson está em segundo lugar no ranking do programa - Foto: Reprodução/TV Globo/Paulo Belote

Aos 27 anos, Jakson Follmann, ex-goleiro da Chapecoense, está se redescobrindo como cantor no programa musical Popstar, exibido pela TV Globo aos domingos. Atualmente em segundo lugar na competição, as duas músicas interpretadas por ele arrancaram lágrimas dos jurados. 

No último domingo (3), ele cantou “Cê Que Sabe”, de Cristiano Araújo, que morreu em 2015 em um acidente de carro. Na primeira semana, ele interpretou o hino “Tente Outra Vez”, de Raul Seixas. "'Tente Outra Vez' tem uma letra que conta muito minha história", disse em entrevista à Rolling Stone Country Brasil

Follmann teve a perna direita amputada no acidente aéreo ocorrido em 2016 em que 71 pessoas morreram e seis sobreviveram. O avião levava a delegação do time da Chapecoense para um jogo em Medellín, na Colômbia.

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Quando criança, seus sonhos para o futuro eram virar jogador ou cantor e a oportunidade nos campos chegou primeiro. "Mas a música sempre esteve na minha vida, como o futebol", disse. "Se for para seguir na música, vou seguir na maior felicidade do mundo", disse. 

No passado, Jakson até tentou ser cantor quando formou uma banda com colegas da escola e às vezes tocava em alguns festivais locais. "Sou um amante da boa música", contou. Segundo ele, o sertanejo está na sua essência e cantores como Zezé di Camargo & Luciano, Gusttavo Lima e Leonardo não faltam em sua playlist. 

Popstar

Além de perder a perna no acidente, Follmann também ficou sem voz por 40 dias. Na ocasião, ele pensou que nunca mais seria capaz de falar. "Quando minha voz voltou, eu fiquei tranquilo porque voltaria a fazer o que eu amava (cantar)".

Em 2017, ele deu a volta por cima e no programa Encontro com Fátima Bernardes cantou "Flor e o Beija-Flor", em homenagem a noiva. "Se você cantar com verdade não tem como ser mais emocionante", opinou.

O convite para participar do Popstar partiu da emissora e Jakson aceitou de imediato por gostar de desafios. Para a competição, ele ensaia duas vezes por semana e realiza sessões de terapia fonoaudiológica. 

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O esforço está rendendo resultados e Jakson é um dos grandes destaques desta temporada, atualmente em segundo lugar na competição. 

Mas Follmann assegura que a vitória não é o seu foco principal. Para ele, a diversão e a resposta do público são os principais motivadores. "As pessoas estão se surpreendendo com minha voz e meu jeito de se portar no palco". O ex-goleiro também afirma que o grupo de artistas deste ano é muito unido e talentoso e que não existe rivalidade entre eles.

Ele não entrega quais serão os próximos sucessos que trará para o palco, mas garante que todas músicas serão brasileiras e ritmos como sertanejo, pagode e MPB estarão presentes na lista. 

Recuperação

Follmann contou que após ter tido alta do hospital, não fez nenhum acompanhamento psicológico e que busca sempre se manter positivo e ocupado. "Nunca tiro meu sorriso do rosto, essa é minha vitória".

O ex-goleiro passou 56 dias internado e uma das poucas coisas que o acalmava era a música que os familiares colocavam ao seu lado.

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Ao todo, ele sofreu 13 fraturas no corpo e até hoje sente dores. "Costumo dizer que minha perna boa é a minha perna amputada". Apesar das dores, ele mantém uma rotina de exercícios, sempre respeitando seu corpo. "Nunca vou me ver como um ex-atleta. Não tem como não lembrar, não posso esquecer, faz parte da minha história."

Futuro

Jakson se prendeu a fé no período da recuperação. Ao ser indagado sobre planos para o futuro, sempre repete que "O futuro a Deus pertence".

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Recentemente, Follmann finalizou o curso de gestão de futebol e hoje é embaixador da Chapecoense, onde trabalha na parte administrativa. "Cada canto que passo eu lembro da história, o que passei. Eu estou escrevendo uma história legal na Chapecoense."

Além do time, Jakson também é embaixador do Instituto de Prótese e Órtese (IPO) de Chapecó, onde conversa com pacientes sobre sua história e ministra palestras por todo o Brasil. "Meu papel hoje é tirar a dúvida dos pacientes e ajudar nos traumas". 

Sobre seguir carreira na música, Follmann ainda não tem certeza sobre os planos. Mesmo afirmando que seria muito feliz, não sabe dizer se seguirá no meio. "Não vou dizer que não, mas agora só quero curtir o programa."  

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