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Com 1,5 bilhão de views, Simone & Simaria celebra nova fase: 'Nada é mais importante do que a aproveitar a vida'

As Coleguinhas conversaram com a RS Country Brasil sobre a vida pessoal e carreira

Cristiane Bomfim e Felipe Branco Cruz Publicado em 28/10/2019, às 10h30

As coleguinhas Simone & Simaria
As coleguinhas Simone & Simaria - Foto: Divulgação

Manter o sucesso não é fácil nem saudável. As irmãs Simone e Simaria sabem bem disso. O ritmo insano de trabalho em que as duas se submetem desde quando tinham 14 anos de idade, cobrou um preço alto e fez com que Simaria chegasse a pesar 42 kg e fosse obrigada a se afastar dos palcos duas vezes para tratar de uma tuberculose. 

Para marcar a estreia da Rolling Stone Country Brasil, que entrou no ar nesta segunda, 28, as irmãs concederam uma entrevista exclusiva falando sobre música, carreira e vida pessoal

Felizmente, as irmãs superaram a doença e, aos 35 e 37 anos, estão no auge da carreira, com a agenda lotada, disputadas pelo mercado publicitário e figurinhas carimbadas em diversos programas de TV. Elas gravaram com grandes nomes da música, como Laura Pausini, Joey Montana, Amado Batista, Karol G, Luan Santana, J&M, Bruno & Marrone, Anitta, Marília Mendonça, Alok, Wesley Safadão, Calema e a cada dia, a lista só aumenta. 

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Os números impressionantes das artistas não deixa dúvidas de que elas estão no topo. Com 4 CDs e 4 DVDs gravados, elas somam mais de 53 milhões de seguidores nas redes sociais e 1,5 bilhão de visualizações no YouTube. "Regime Fechado", por exemplo, ganhou platina dupla e vendeu mais de 200 mil unidades e "Loka" foi além, com diamante triplo e 1,2 milhão de unidades vendidas.

No passado, a dupla chegou a fazer, em média, 24 shows por mês. Após a recuperação de Simaria, a primeira providência da dupla foi desacelerar e escolher com mais cuidado os shows e compromissos profissionais que assumiriam. Atualmente, as irmãs fazem, no máximo três apresentações por semana.  “Percebemos que nada é mais importante do que aproveitar as coisas boas da vida, como levar o filho na escola, dar banho nas crianças, aproveitar o tempo com o marido ou churrasco com família”, disse Simone.

Mesmo assim, a pressão não cedeu. E ela vem de todos os lados: do escritório, dos contratantes e do público. A avidez por novidades mudou até o jeito de fazer música. “Demorávamos um ano para lançar um álbum. Agora, em três meses, temos que ter uma novidade, se não, ficamos pra trás e o sucesso passa”, analisou Simone.

Leia os principais trechos da entrevista:

O que mudou na dupla após a doença da Simaria?

Simone: Mudou tudo. Quando você começa a fazer sucesso, você deixa de lado as coisas mais importantes que tem na vida. Por exemplo, sentar no fim de tarde e olhar o pôr do sol. cozinhar com os familiares, dar risadas e falar besteira. Quando aconteceu o problema de saúde da Simaria, nós percebemos que nada é mais importante do que aproveitar as coisas boas da vida, como levar o filho na escola, dar banho nas crianças, o tempo com o marido ou um churrasco com a família. Infelizmente, só descobrimos isso tudo quando algo sério, como esse, acontece.

Simaria: Todo mundo dizia que a gente tinha que aproveitar a oportunidade e vieram shows e mais shows, uma agenda maluca, muito tempo na estrada e pouco tempo com a família e a gente estava aproveitando. Depois de um certo tempo, quando gravamos do DVD Regime Fechado, eu comecei a pensar diferente e dizia para a Simone que a gente podia escolher onde cantar e quando cantar, que a gente não precisava dizer mais "sim" para tudo. Eu comecei a sentir que meu corpo não estava mais aguentando aquela rotina, porque no final quem virava a noite resolvendo problemas, produzindo músicas, pensando nos shows era eu. E eu estava ficando fraca.

Eu avisei a Simone e disse que eu não estava legal, mas a gente tinha que cumprir alguns shows e na outra semana eu caí internada. E isso foi um sinal de Deus porque podia ser pior. Estava pesando 42 quilos, com anemia e eu não queria morrer. Não tinha a menor condição de cuidar das coisas e foi quando comecei a fazer terapia e aprender a colocar limites. E disse para todo mundo que eu não podia tocar as coisas do trabalho, que queria viver e não queria morrer.

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Como vocês lidam com a pressão pelo sucesso?

Simone: Fazer sucesso é muito difícil, mas se manter no sucesso é ainda mais difícil. Hoje, o mercado da música é muito rápido. Não é como antigamente em que demorávamos um ano para lançar um álbum. Agora, em três meses, você tem que lançar uma novidade, se não, você fica pra trás e o sucesso passa. Todo artista que atingiu o sucesso deseja permanecer nele e é uma luta constante. É uma pressão muito grande de todos os lados. Graças a Deus, temos um ponto positivo, que é essa legião de amor dos fãs que esperou a nossa volta após a doença da Simaria.

Simone, você fez um desabafo nas redes sociais sobre a sua briga com a balança. Você também sofre pressão para não ficar acima do peso?

Simone: Recentemente, eu fiz uma dieta e perdi 8 kg. Eu gosto de comer. É a maior felicidade do mundo. Mas não tenho compulsão. O meu problema é no DNA. Descobri que se eu como alimentos industrializados, eles me inflamam. Se eu provar um salgadinho no aeroporto, é como se eu tivesse comido uma bomba calórica de dois quilos. Viajei para Orlando, Portugal e Londres. Você sabe o que acontece nessas viagens, né? Engordei um pouquinho novamente. Agora estou correndo, de novo, para perder o que engordei.

Muitas fãs têm você como referência de mulher. Como você encara isso?

Simone: Eu ouvi uma coisa de uma nutricionista que me fez pensar um pouco na vida e foi muito importante pra mim. Ela me disse que muitas mulheres se inspiram em mim, no meu corpo e no jeito que eu me comporto. Se eu fizer algo radical para perder 15 kg, as pessoas vão perder a referência de mulher que elas têm em mim. Tenho que emagrecer para me sentir bem e não para ficar aquela coisa magérrima.

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O que é ser empoderada pra vocês?

Simaria: Quando nós começamos a cantar sertanejo, abrimos as portas para muitas mulheres. Por isso que eu falo que nós mulheres temos que ser unidas, temos que nos fortalecer e não é só porque somos mulheres é porque somos admiráveis: nós trabalhamos, cuidamos da nossa família, cozinhamos – sim, eu que cozinho em casa, mas as pessoas acham que eu tenho um monte de empregada. Cuido dos meus filhos, da minha carreira. Sou admirável. Nós mulheres somos admiráveis, temos jornada dupla, tripla e temos os mesmos direitos. O que a gente fala muito nos shows é que a gente tem o poder de escolher o que a gente quiser, a gente não precisa depender de homem nenhum, nem levar surra de homem. As mulheres mudaram, os tempos mudaram. As mulheres trabalham, são chefes de grandes empresas. Elas sempre têm o direito que fazerem o que eu elas quiseram. Se elas receberam um chifre e acham que tem o direito de retribuir na mesma moeda, elas podem fazer. Elas podem chegar onde elas sempre quiseram e ninguém pode dizer que não

Que bandeira vocês levantam?

Simaria: Quando é política, eu digo meu voto é secreto. Com relação a galera e a orientação sexual, a verdade é que eu amo todo mundo. Amo veado, amo sapata, amo as pessoas e o que eu puder fazer para defender essas pessoas, eu vou fazer. As pessoas têm o direito de escolher o que elas querem ser e o que fazem elas felizes e não podem ser julgadas por isso. Mas quando a gente fala de bandeiras, eu acho que o melhor é não termos uma bandeira específica: defendemos os direitos das pessoas de serem o que que quiserem, do respeito, da solidariedade, da justiça. Quando eu vejo uma injustiça, eu falo e quero morrer por dentro. Eu uso meu espaço nas redes sociais, para falar o que penso e acho que tem que ser assim.

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Qual artista que vocês mais se orgulham de terem gravado juntas?

Simone: Foi com o Roberto Carlos. Não gravamos uma música juntos, mas fizemos o especial de fim de ano em 2018. Foi um momento muito importante cantar com ele uma música nossa e uma música dele.

Vocês são muito fãs do Roberto Carlos?

Simone: Ave Maria, tu é doido? Ele é o Rei. Ele é um cara que até hoje lota os shows que faz. É admirado pelo país. Mas ainda falta gravar com o Zezé Di Camargo & Luciano. Já cantamos no mesmo palco com eles, mas nunca gravamos em estúdio. Falta também o Leonardo. Ainda tem muitas coisas para acontecer na nossa carreira.

Como vocês se definem musicalmente?

Simaria: Hoje em dia somos tudo, já gravamos com MC Kevinho, Laura Pausini, Marília Mendonça, Anitta e Calema. Nossas músicas sempre têm influência de outros gêneros musicais. Já gravamos reggaeton, música com influência do eletrônico do Alok. Então, acho que somos um pouco de tudo.

Simone: A gente canta de tudo, mas o ritmo que predomina na nossa história é o sertanejo. Eu acho que, com essa mistura de ritmos, o sertanejo se renova.

Simaria: Nossa raiz é o sertanejo e, por mais que a gente grave com qualquer artista e qualquer tipo de música, sempre vamos voltar para nossa raiz. O sertanejo sempre está com a gente. Não estamos dentro de uma caixa, mas levamos nossa caixa para onde temos de ir, precisamos dela para nos reinventar e por termos essa base forte é que somos livres e nos sentimos à vontade para percorrer outros estilos

Por que investir em parcerias e misturas de ritmos?

Simaria: Conseguimos alcançar um ponto da carreira em que as pessoas respeitam e talvez até gostam da gente. Eu sou o tipo de pessoa que escuta a música antes de gravar e se eu e a Simone não gostamos, a gente não grava e fala que não gostou. Para você ter uma ideia, vamos gravar uma música com Jerry Smith, ele mandou a canção, mas eu achei o refrão fraco e disse para ele. E mais: me comprometi a achar uma música que fosse a nossa cara. Para nós é bom porque os fãs do outro artista vão conhecer nosso trabalho e podem até virar nossos fãs. Por outro lado, nossos fãs vão ouvir o outro artista.

Simone: Essa troca de ritmos e de experiências é muito bacana. Você entra em um mundo que não é seu, mas, por você gostar de música, acaba navegando tranquilamente. Foi assim com “Loka”, com a Anitta. Foi uma das músicas mais tocadas no Brasil.


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