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"Falavam que eu devia ficar quieta por ser mulher": Naiara Azevedo revela desafios que enfrentou para lançar o DVD "Sim"

Cantora conversou com a Rolling Stone Country sobre lançamento do álbum, feminismo, coronavírus, fãs e BBB

Clara Guimarães Publicado em 21/03/2020, às 08h00 - Atualizado às 11h10

Naiara Azevedo apostou no bregafunk na primeira parte do DVD "Sim"
Naiara Azevedo apostou no bregafunk na primeira parte do DVD "Sim" - Foto: Felipe Branco Cruz

Após o lançamento da primeira parte do DVD Sim, Naiara Azevedo recebeu muitas críticas dizendo que ela havia abandonado o sertanejo e trocado o estilo para o funk. “Não, querida, é o Carnaval que está aí”, respondeu com bom humor, explicando o repertório animado.

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E para felicidade dos fãs da sofrência nível “50 reais”, a cantora já anunciou que a segunda parte do DVD Sim terá 'SIM' muito sertanejo. Mas isso não quer dizer que as críticas vão limitar Naiara de experimentar outros ritmos na carreira.

"Eu amo sertanejo, é o meu estilo e é o que escolhi para fazer da vida. Mas eu também amo funk, amo pop, amo muitos outros estilos, amo a música nordestina. Então, eu trouxe 'SIM' essas músicas também para esse DVD",  contou. 

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Naiara, que escutou muitos 'nãos' na carreira por não se encaixar nos padrões de beleza, por falar o que pensa e por levantar a bandeira do feminismo, escolheu responder aos desafios com um "SIM". "Superar, insistir e motivar. São palavras que significam muito e as iniciais formam 'SIM'". 

A cantora conversou com a Rolling Stone Country e explicou de onde vem essa força, o significado do DVD Sim, a importância do feminismo na música, a parceria com a Netflix, BBB e coronavírus.  Com muito bom humor, Naiara mostrou que não se importa com opiniões negativas, desde que acredite no que está fazendo. 

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Confira alguns trechos da entrevista:

Naiara, você começou sua carreira e estourou na internet com um vídeo de uma música chamada “Coitado” em resposta às letras machistas de “Sou Foda”. Como surgiu essa inspiração?

Então, era um funk que falava "um lance é um lance, traição é traição" e ele ganhou uma versão sertaneja pelo Carlos & Jader e depois outras duplas gravaram, como Munhoz & Mariano. Quando isso começou a se alastrar, eu ouvi e falei: "Cara, está errado isso aí, essa letra está me ofendendo, não estou gostando da forma que está sendo passado não". E eu fiz uma resposta dessa música, da forma como eu enxergava. E ela viralizou. E então começaram convites para programas de TV, pedidos de shows e as rádios começaram a tocar. Foi assim que eu comecei. 

Óbvio que houve essa resposta positiva, mas você também ouviu muitas críticas?

Demais! A galera falava que eu devia me recolher e ficar quieta por ser mulher. A única mulher que estava no sertanejo em evidência na época era a Paula Fernandes. E a Paula Fernandes linda, maravilhosa, com a cintura desse tamanho, uma Barbie, cantando músicas que falavam de amor e mensagens positivas. E eu como? Cantando 'é o pente é o pente', mandando os homens todos para aquele lugar. Fora isso, eu também não me enquadrava no padrão de beleza naquela época. Era bem gordinha e estava cantando uma resposta a uma música que não tinha nada a ver com o que estavam fazendo na época. Chegaram a falar para eu desistir de pensar que eu iria entrar na TV e ser requisitada, porque eu não me enquadrava nos padrões de beleza para estar com a cara estampada na televisão.

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E você acha que de lá para cá houve uma diminuição das músicas machistas? O perfil da indústria sertaneja mudou?

Muito! Estamos vivendo em outra sociedade, querida. Outro meio musical, outro tudo. Não dá nem para pensar. Eu contando aqui agora e você me fazendo repensar no que eu já vivi e no que eu vivo hoje, é inacreditável. Se alguém me contasse, eu falaria: "Você é louca, você não está falando verdade não, isso aí não existiu". Acho que nem devemos mais falar sobre feminejo, porque essa palavra nem se enquadra mais. Existe um só sertanejo, onde nós mulheres somos tão respeitadas quanto qualquer outra formação. Seja solo, dupla, mista, masculina, feminina, somos um sertanejo só. Não tem mais desigualdade, não tem mais diferença entre nós. 

Uma música forte que você fez e que levanta essa bandeira é “Coração Pede Socorro”. Como surgiu a ideia de gravar ela e também foi difícil cantar sobre isso? É uma letra pesada e o clipe também.

E se eu te falar que está ainda muito leve e que a gente teve que dar uma editada? As imagens que os atores interpretam a cena do crime, tiveram que ser aliviadas, porque na vida real as coisas acontecem de uma forma muito pior. Eu tenho muito contato com mulheres que visitam meu camarim, que me param na rua e que me contam várias histórias de arrepiar o cabelo. 

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Você fez essa música para cantar para elas? 

Eu quis gravar essa música e dar essa força para elas se libertarem disso, porque não é fácil, não dá para a gente julgar. A gente que está de fora fala: "Sai dessa". Mas quem está vivendo ali, às vezes com filhos, família e tudo mais envolvido, se vê realmente preso. Algumas pessoas nem enxergam que estão vivendo aquilo. Essa também foi uma forma de alertar essas pessoas. Foi muito prazeroso para mim gravar e poder passar essa mensagem.

Agora no Dia Internacional da Mulher, você vai lançar uma música chamada "Mãe Solteira". Pode contar um pouco para gente sobre ela?

Da mesma forma como as mulheres me passaram histórias sobre a situação do feminicídio e de agressão, as mães solteiras fizeram o mesmo. Tem muitas fãs, principalmente bem novinhas, que me mandam recado: "Eu queria ter ido, mas eu não consigo, porque sou mãe solteira. Eu não tenho quem fique com meu filho. Tenho que cuidar, porque eu sou mãe e pai'".  E também tem as que vão ao show e falam: "Nossa, você não imagina o sacrifício que eu fiz para estar aqui hoje.  Eu sou mãe solteira, tive que deixar meu filho com a irmã ou com a prima para conseguir estar aqui. É difícil, porque eu trabalho, tenho que sustentar minha casa, sustentar meu filho". Então isso me fez querer homenagear elas com esse DVD que gravei agora. 

Como você escolheu retratar essa situação na letra da música?

Essa música ela fala sobre o quanto o filho é especial na vida delas. Não existe ex-filho e para ficar com ela tem que aceitar o filho, porque é parte dela, né? O refrão fala: "Já vi ex-namorado, ex-marido, mas ex-filho não existe". A letra da música é maravilhosa.

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E o DVD Sim tem muito a ver com as dificuldades que você mesma teve que passar como mulher para chegar onde está. Conta para gente sobre o significado pessoal do álbum para você. 

"Sim" porque três palavras que são muito forte na minha vida, que significam muito para mim diante de todas as fases que passei até chegar aqui. As iniciais formam a palavra "Sim".  Superar, insistir e motivar. Toda minha vida tento passar uma mensagem de motivação, como "vai para frente, vai dar certo, vamos lá, deu comigo, vai dar com você também". Então as três palavras formam "Sim".

E sim também, porque é sim para vida, sim para esse novo projeto, sim para os meus fãs que pediram muito que eu gravasse um DVD aberto ao público, sim para gravar o que eu tenho vontade, sim para trazer para o palco não só o sertanejo, mas outros estilos de música que eu gosto. Por exemplo, eu amo sertanejo. É o meu estilo, é o que eu escolhi para fazer da vida. Mas eu também amo funk, amo pop, amo muitos outros estilos, amo a música nordestina. Então, eu trouxe "sim" essas músicas para esse DVD.

E quando a primeira parte do DVD saiu, majoritariamente com funks, você recebeu comentários sobre a mudança?

As pessoas me questionaram quando saíram essas primeiras músicas do meu novo DVD. "Mas você mudou de estilo! Naiara mudou!". Não, querida. O Carnaval está aí, estou lançando essas músicas em janeiro para vocês poderem curtir e dançar muito. Por isso lancei elas na frente, né? E como são 22 músicas nesse DVD, agora vai vir muita música sertaneja, muita bachata, muita vanera, muitos estilos. Vai ter muita sofrência. 

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E essa primeira parte tem várias músicas bregafunk, parceria com o Jottape e Dadá Boladão. Você acha que o bregafunk é o ritmo do momento?

Adoro! Se não é, eu estou falando que é. Peço desculpas, mas para mim está sendo.

E sobre a parceria com o Dilsinho no pagode?

Eu já havia encontrado ele em outros programas, já conhecia as músicas dele, tocava nos shows. Eu também gosto de pagode. A gente toca o que faz sucesso. Entre as minhas músicas do repertório pessoal, eu gosto de colocar o que a galera está curtindo. É um repertório muito eclético. E um dia falei: "Dilsinho, precisamos gravar alguma coisa junto".  E quando recebi a música "Manda Áudio", pensei que era essa música que tinha que gravar com ele. Ele é um fofo, querido, topou gravar e está aí para a galera curtir. 

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E qual foi a parte mais legal da experiência de gravar na Praia Grande? Já que você sempre optou por gravar DVDs em um clima mais intimista.

Ter meus fãs e ter muitos fãs de muitos lugares do Brasil. Porque eu estou acostumada a ver vários rostinhos que lembro nos shows. Geralmente, tem os mesmos que vão sempre. Mas encontrar todos e ver gente do Nordeste, do Sul, do Centro-Oeste, de todo lado, em um lugar só, deu um nó na minha cabeça. Tipo: "O que essa galera está fazendo toda junta?". E foi muito legal ver eles se unindo, com camiseta, faixa, bandeira, lanterninha colorida. É uma emoção muito grande.

Seus fãs são realmente muito carinhosos e preocupados. Inclusive, recentemente, tinham vários comentários deles com medo de você pegar o coronavírus. Você está tranquila com isso?

Eles estavam mais preocupados que eu com o coronavírus, você viu? Mas hora que eu levanto, faço uma oração para Deus cuidar de mim na estrada e que seja o que Deus quiser. Peço que isso nunca aconteça, mas é muito mais fácil acontecer algo comigo em um acidente, já que a gente vive de avião, de carro, de ônibus, do que eu pegar um coronavírus. Eu peço muita proteção á Deus, porque mais forte que Deus na minha vida não tem.

E uma história interessante que você contou para os seus fãs nos seus stories foi sobre quando você foi fazer cirurgia plástica e o médico perguntou se você queria discrição para não vazar que você estava fazendo o procedimento.  Mas você negou e inclusive contou todo o processo no Instagram. Por que você acha que existe essa conotação negativa de fazer procedimentos estéticos e porque escolheu falar sobre isso?

Porque eu sou livre, trabalhei, ganhei meu dinheiro, paguei minha cirurgia, não devo nada para ninguém, não devo satisfação da minha vida. Senti vontade de fazer, é uma coisa que eu vi uma oportunidade de incentivar as pessoas que têm vontade, mas não têm coragem. Quer fazer, faz? A vida é uma só. Para minha autoestima foi excelente, se já era bom, está muito melhor. Se a autoestima estava elevada, querida, está bombando e está nível master. Eu me senti muito feliz e realizada como mulher. Eu, Naiara pessoa, feliz de me olhar no espelho e me ver como algo melhor, estava diferente.

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Falando da sua parceria com a Netflix na gravação de um vídeo promocional para o filme "Para Todos Garotos Que Amei". Como foi essa experiência, você fala inglês?

Claro que não! Alguma coisinha a gente fala: 'Hi', 'Nice to meet you', aquelas coisas. Eu até arrisquei a falar algo, mas quando eles começaram a falar rápido eu falei : 'Calma que eu não falo mais nada, eu só falo isso, fala para eles que eu 'no speak english'. Parou aí! Mas eles sempre foram muito simpáticos, muito sorridentes, não só comigo, mas com toda a equipe envolvida.

E como eles explicaram o que era sofrência?

Eu não sei porque foi inglês e eu fiquei só olhando. Foi uma falação em inglês, uma coisa de louco e eu não entendi foi nada. Só sei que eles riam muito quando ela estava explicando. Eles ficavam fazendo chifrinho, falando 'sofrência' (com sotaque em inglês). E a diretora tentava explicar e eles riam muito. Eu falei: 'É isso aí, na hora é trágico, mas depois a gente ri'. 

Você já pensou em compor algo baseado em o que viu em um filme ou série?

Olha, está aí uma pergunta. Eu acho que a vida imita a arte e a arte imita a vida. E nas minhas composições, que não são muitas, mas ainda bem que a maioria, que está escrito está gravado, então tem um bom aproveitamento. Eu não me inspirei em filmes, a maioria que tem escrito foram baseadas na vida real e não na arte. Foram vividas por mim ou por alguém que estava compondo na hora. Mas é uma boa, vou começar a pensar nisso.

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A gente viu também que você compartilha uns vídeos do BBB. Está acompanhando? 

Eu confesso que fiquei um pouco viciada. Nas festas, principalmente toca muita música minha e são músicas de dois três álbuns atrás. 

E isso te incomoda?

Não, eu fico muito feliz de saber. Esse BBB está bombando muito. Se não me engano, em uma parte que estava a Marcela e o Daniel, tocou "Nivel de Carência" na edição. Então várias músicas minhas acabam se tornando trilha de vários romances da casa.

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Então, para finalizar, conta para gente um pouco mais do que vem nesse lançamento do DVD Sim.

Pois é, a gente já lançou tudo que tinha para lançar de funk para a galera curtir no Carnaval. Vai ter uma música pop com uma cantora chamada Grace, maravilhosa, deusa. Então ainda tem esse diferencial para lançar no DVD, mas o resto vem mesclado do sertanejo com bachata e vanera.

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