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"Vejo o sertanejo atual como uma música urbana, não caipira", diz Chal, cantor de rock rural

O cantor e compositor falou sobre o novo álbum, sobre sertanejo universitário e das influências musicais

Clara Guimarães Publicado em 12/12/2019, às 08h00

Chal foi indicado ao Grammy pelo álbum "O Céu Sobre a Cabeça"
Chal foi indicado ao Grammy pelo álbum "O Céu Sobre a Cabeça" - Foto: Divulgação

A irreverência da música "Ziriguidum Tchan" de Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix e Guarabyra, que fala sobre como a América do Norte está mais perto do que o sertão no cenário da cultura brasileira, expõe a essência do que é o rock rural, crítico e caipira.

Atualmente, quem traz o resultado dessas influências é o cantor e compositor goiano Chal nas músicas de seu novo DVD Chal na Toca do Bandido, que conta com a participação de , da dupla com Guarabyra, lançado nesta semana.

Rock Rural é uma forma simples de definir a união entre a música caipira, do interior, e a rebelião urbana do rock. As letras são espirituosas e contam as histórias mais variadas, desde personagens do sertão até a efemeridade da vida na cidade. 

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Em conversa com a Rolling Stone Country Brasil sobre influências, rock rural e composições próprias, Chal disse que não se refere ao estilo que toca como sertanejo mas, sim, como música caipira. “O álbum O Céu Sobre A Cabeça tem duas músicas que deixa isso bem claro 'Caminhoneiro' e 'Feito Flor para Cultivar' que são bem moda caipira".

Para Chal, a diferença entre o sertanejo e a música caipira está no tema e no ritmo. "O que eu vejo no sertanejo atual é que é uma música que fala muito de relacionamento, com mistura do arrocha do Ceará, mas ainda é uma música urbana, não é caipira", explicou.

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Para o compositor, a escolha pelo rock rural foi natural, pois ele cresceu ouvindo ídolos como Neil Young, Bob Dylan e Lynyrd Skynyrd, ao mesmo tempo que tinha referências da infância em Goiânia como Almir Sater e Sá & Guarabyra.

A carreira começou em bares e festas de faculdade, evoluindo gradativamente até atingir o auge em 2019: a indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock ou Música Alternativa com a produção O Céu Sobre a Cabeça.

Rock Rural no Grammy

O cantor foi do interior de Goiás até Las Vegas para a premiação e contou sobre a experiência. "Tem fila para tudo e minha esposa insistiu para eu tirar foto no tapete vermelho. Foi muito legal, mas como eu era desconhecido, a cada segurança que eu passava, pediam meu ingresso".

O álbum indicado conta com a canção "A Vida Continua", tema da novela O Outro Lado do Paraíso, da Rede Globo, e "Estrela Natureza", que foi regravada no novo DVD com a participação de Luis Carlos Sá.

A música da década de 1980 ainda se faz muito atual principalmente com o aumento do desmatamento da Amazônia. "Essa música não vai deixar de ser temporal. Cadê nosso amor por essa terra?", questionou Chal

Ainda sobre a atemporalidade das músicas, o cantor disse que essa é umas das grandes diferenças entre composições antigas, como "Estrela Natureza", e o sertanejo universitário, que "busca o hit, sucesso, com pouca produção que mira a longo prazo".

Como exemplo, Chal citou músicas que falam sobre redes sociais ou coisas superficiais marcadas temporalmente, que se perderão no futuro. "É difícil falar, mas acredito que tem uma pasteurização do sertanejo hoje, muito se fala sobre relacionamento".

Novo trabalho

Com 19 anos de carreira, o goiano lança esta semana o resultado da primeira gravação audiovisual. O projeto Chal na Toca do Bandido exala rock rural e traz regravações de grandes nomes do gênero.

O álbum foi gravado no estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, criado pelo produtor Tom Capone, onde já foram gravados discos de artistas como Maria Rita, Adriana Calcanhoto, O Rappa, entre outros.

O primeiro lançamento do DVD foi "O Anjo", que fala sobre um espírito protetor, um anjo mesmo. Alguém que olha por nós", explica o cantor. Agora, todas as músicas da gravação no Rio de Janeiro já estão disponível nas plataformas de streaming de áudio e no YouTube. 

 

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