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Conheça o subgênero country 'fora-da-lei', protagonizado por artistas como Willie Nelson e Johnny Cash [ANÁLISE]

Para além do som, os artistas faziam parte do movimento de contracultura à época

Seham Furlan Publicado em 28/06/2020, às 10h00

Johnny Cash (à esquerda) e Willie Nelson (à direita)
Johnny Cash (à esquerda) e Willie Nelson (à direita) - Joel Baldwin e Divulgação/ Domínio Público

Durante as décadas de 60 e 70, a música norte-americana passou por diversas transformações sonoras. Foi influenciada pelos Beatles, Rolling Stones, além de artistas norte-americanos como Jimi Hendrix, que mudou para sempre a forma de se tocar guitarra. Além da influência sonora, a postura destes artistas diante de temas como a relação entre juventude e questionamento de costumes impostos pela sociedade pautaram estilos musicais diversos, inclusive o country, em especial, o subgênero 'Outlaw Country', ou Country 'Fora-da-Lei'.

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Este subgênero resgatou sonoridades do blues e da segunda onda folk nos anos 60, tendo Bob Dylan como principal nome, além do já mencionado rock'n roll insurgente. Os principais nomes desta área são Willie Nelson, Waylon Jennings, Johnny Cash e Kris Kristofferson, artistas que, mais tarde, formaram o supergrupo conhecido como The Highwaymen. As mulheres também integraram o movimento, são elas Marshall Chapman, Emmylou Harris e Jessi Colter, entre outras.

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Contracultura e a ideia de liberdade

O movimento hippie, que tomou força durante os anos 60 e 70, alcançou o auge no Festival de Woodstock, em 1969 -- que completou 50 anos ano passado. A organização, em plena Guerra Fria, pedia o fim da Guerra do Vietnã. Os que se identificavam como parte do movimento vestiam roupas coloridas, mantinham cabelos longos, além de defender o uso de drogas alucinógenas e a liberdade sexual.

Willie Nelson, ao mudar-se para Austin, no Texas, imergiu também na cena musical do movimento hippie, que o fez amplificar a sonoridade própria, com influências do blues, folk e, inclusive, jazz, indo na contramão de outros artistas em Nashville. Tornou-se importante ativista em prol da legalização da maconha e utilização de biocombustível.

Na música "Me and Paul", o cantor fala sobre a amizade com o baterista Paul English, que sempre lembrava o cantor sobre a importância de seguir a vida, cultivando a música e o espírito ao longo do caminho. Atualmente, Nelson manifesta desaprovação ao governo Trump, criticando especialmente a política de separação de famílias imigrantes na fronteira americana, ainda retratando a postura política progressista nas músicas de autoria até hoje, como em "Vote 'Em Out".

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"Hello, I'm Johnny Cash"

Cash, com vocais graves, entoava melodias melancólicas acompanhado do violão. O cantor era conhecido pelo apelido 'homem de preto', por vestir-se com um terno preto ao subir ao palco. O cantor lidou com diversas recaídas em relação às drogas, tendo sido, inclusive, preso.

O cantor alcançou grande sucesso ao realizar shows gratuitos em prisões, o que rendeu a famosa gravação "Folsom Prison Blues", ao vivo, em 1968. Além disso, Johnny Cash foi um ativista em prol das lutas e direitos por terra de povos indígenas norte-americanos contra o governo americano, criticando a falta de posicionamento da indústria musical à época tanto por meio de falas, quanto músicas.

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O conservadorismo em Nashville

O conservadorismo da indústria musical country em Nashville é alvo de duras críticas até hoje, em especial por cantoras como Kacey Musgraves. Johnny Cash e Willie Nelson, já naquela época, desafiavam, junto de outros artistas do Outlaw Country, a indústria musical dos caubóis norte-americanos. 

Em contrapartida às músicas que seguiam 'receitas de bolo', os artistas 'fora-da-lei' buscavam a influência de outros gêneros musicais, além de priorizar narrativas densas, com toque intimista nas letras das músicas. Apesar de destoarem das regras e imagem mantida pelas gravadoras e rádios do mainstream, ofereceram novas sonoridades e posicionamento político nas músicas, trilhando outros caminhos para o country.

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