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Álbum "Wildcard" de Miranda Lambert é uma obra-prima do country rock; ouça

A rainha de Nashville fala de amor, política e bebidas

Jon Dolan, Rolling Stone Country EUA Publicado em 04/11/2019, às 10h10

Em novo disco, Miranda Lambert fala até do amor pela tequila
Em novo disco, Miranda Lambert fala até do amor pela tequila - Jody Hewgill

Apesar de anos de esforços admiráveis, as tentativas de Nashville de produzir rock ainda tendem a sair bem exageradas. Então, surge algo como "Mess With My Head”, um destaque no sétimo LP de Miranda Lambert, Wildcard. Com uma bateria elegante e guitarras noir, a rainha do campo relaxa o psicodrama fumegante, cantando sobre como sua mente é uma suíte de hotel de luxo aberta para serviço de quarto às duas da manhã: "Eu sei por que dei as chaves para você", ela entoa, antes de um coro que soa como Sheryl Crow sob a influência do álbum Celebrity Skin, da banda Hole. É o som de uma estrela livre no topo do seu jogo, repensando a história do rock em sua própria imagem.

O Wildcard está cheio de momentos como esse. Ele aguça a atmosfera do último álbum de Lambert, The Weight of These Wings, de 2016, um duplo LP gravado depois que ela se divorciou de Blake Shelton, que tinha mais em comum com um trabalho artístico dos anos setenta, como “All Things Must Pass” de George Harrison, do que com qualquer outra coisa do country. Juntamente com uma lista de compositores topo de linha, como Natalie Hemby, Liz Rose e Lori McKenna, ela trouxe o produtor e guitarrista Jay Joyce, que dirigiu discos da banda Cage the Elephant e de Eric Church.

Os toques de rock são inteligentes e mantém perfeitamente em equilíbrio a habilidade de Lambert de mostrar um som glamoroso e real ao mesmo tempo: “Way Too Pretty for Prison” abre inteligentemente com uma guitarra barulhenta que evoca "Jailbreak", de Thin Lizzy, e depois se transforma nas vozes de Lambert e da convidada Maren Morris cantando uma história hilária sobre a fantasia de cometer um assassinato feminista: Lambert tem um marido imbecil, mas, em vez de matar o cara elas mesmas, elas contratam alguém para o fazer, porque não querem acabar na prisão, onde as “bandejas do almoço não vêm com Chardonnay”.

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Enquanto isso, “Locomotive”, com um tom acelerado tingido da marca dos anos 70, mostra sua face crua quando Lambert canta: “Eu não sou Napa Valley/ Nova York parece OK”. No lado mais suave do álbum está “Track Record”, uma ode deslumbrante a seu jeito romântico errante, que lembram os sons de guitarra indie-rock de War on Drugs.

O senso de humor e o carisma do Texas de Lambert brincam em cada música, especialmente quando o conteúdo fica um pouco mais baixo - como em “White Trash”, um country rap sobre condomínios fechados (“Pelos de cachorro no hardware de restauração / Quem disse que você não pode ter coisas boas?”), e na música country-rock “Pretty Bitchin'”, que diz para o ouvinte servir-se “do Tito na cozinha bonita”- uma vodka produzida no Texas.

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Momentos como esses nos lembram que músicas aventureiras não precisa ser tão sérias quanto muitas estrelas pop de hoje parecem pensar. Mas isso de maneira alguma significa que Lambert está deixando as críticas de lado: veja "Holy Water", por exemplo, um hino de blues do country sobre corrupção religiosa e política causando uma mancha literal na Terra: "Você não pode pular uma pedra onde o rio está praticamente desaparecido", alerta ela. Sua visão expansiva do interior da América, o torna um lugar pelo qual vale a pena lutar.

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